Apuração Financeira: Como Conferir se o Repasse do iFood Está Certo

Você confere, todo repasse, se o valor que o iFood depositou bate com o que deveria ter caído? A maioria dos donos de delivery não confere — só olha se “entrou dinheiro” e segue o mês. O problema é que sem apuração financeira, um erro de desconto pode passar despercebido por meses.

Depois de anos fazendo gestão financeira de lojas no iFood, o método abaixo é o que uso pra fechar a conta certinha, repasse a repasse.

O primeiro fato que muda tudo

Quando a entrega é feita pelo próprio iFood, o iFood não cobra comissão sobre o valor da entrega. Quando a entrega é própria da loja, o iFood cobra comissão também sobre o valor cobrado pela entrega. Ignorar essa diferença é a causa mais comum de conta que “não bate”.

A conta pra entrega própria

Parta do valor bruto (itens + taxa de serviço + taxa de entrega) e vá descontando, nesta ordem:

  • Descontos do iFood somados (comissão + taxa de transação + taxa de antecipação)
  • Taxa de serviço
  • Incentivos que a loja patrocinou (cupons, frete grátis)
  • Pagamentos recebidos direto via loja (dinheiro e cartão na entrega)
  • Entregas solicitadas manualmente (sob demanda)
  • Mensalidade e anúncios

Some os reembolsos recebidos de volta. O resultado dessa conta é exatamente o valor que o repasse deveria ter dado.

A conta pra entrega do iFood

A diferença aqui é que primeiro se retira o custo da entrega do valor bruto (porque não há comissão sobre ela), aplicam-se os mesmos descontos, e só então a entrega volta a entrar na conta como custo à parte.

Como conferir na prática

Vá na aba Pedidos do portal do parceiro, filtre pelo período exato do repasse e exporte a planilha. Um passo importante: ordene pela coluna de motivo de cancelamento e remova da planilha qualquer pedido cancelado que não teve reembolso — senão a soma não vai fechar.

Com a planilha limpa, some as colunas de: valor da entrega, valor total dos itens e taxa de serviço. Pra entrega própria, o bruto é entrega + itens + taxa de serviço. Pra entrega do iFood, o bruto é só itens + taxa de serviço.

Um número extra que vale ouro

Some o total gasto com entregas no período e divida pelo número de pedidos — esse é o seu custo médio real de entrega por pedido. É um número que raramente aparece direto no painel do iFood, mas que muda completamente o cálculo de precificação se você não tiver ele em mãos.

Por que vale a pena o trabalho

Apuração financeira não é sobre desconfiar do iFood — é sobre ter certeza de que as taxas configuradas (plano, forma de recebimento, incentivos ativos) estão realmente sendo aplicadas como você entende. Erros de configuração acontecem, e sem conferir, ficam invisíveis até virarem um rombo grande no fim do trimestre.

No iFood Pro Player eu mostro esse processo com planilha e fórmulas prontas, além de como usar esse mesmo custo médio de entrega na precificação correta de cada prato.

Frete Grátis no iFood: Como Oferecer Sem Sair no Prejuízo

O iFood já divulgou que cerca de 80% dos pedidos no app são feitos com frete grátis. Ignorar essa informação é abrir mão de uma fatia enorme de clientes — mas oferecer frete grátis sem calcular direito é um dos jeitos mais comuns de um delivery trabalhar no prejuízo sem perceber.

Depois de estruturar cardápio com estratégia de frete pra centenas de lojas, o padrão é sempre o mesmo: quem calcula certo, lucra mais vendendo o mesmo tanto. Quem não calcula, “vende bastante” e não entende por que sobra pouco.

O erro mais comum

Oferecer frete grátis sem embutir o custo da entrega no preço do produto. Se o frete custa R$10 e você vende um salgado a R$8 com frete grátis, cada venda individual já nasce no prejuízo — o cliente paga R$8, mas o custo real da operação (produto + entrega) passa de R$10.

Como embutir sem espantar o cliente

A saída não é simplesmente somar o frete no preço do item individual — isso deixa o preço muito acima do mercado e derruba a conversão. A estratégia certa é trabalhar com combos de 2 ou mais unidades: o custo do frete se dilui entre os itens, e o preço por unidade fica competitivo de novo.

Exemplo prático: uma coxinha grande custa R$8 pra produzir com boa margem. Vender 1 coxinha por R$18 (embutindo o frete de R$10 inteiro) afasta o cliente. Mas vender 2 coxinhas por R$26, ou 3 por R$34, dilui aquele mesmo custo de frete e o preço por unidade volta a ficar atrativo. Nesse caso, o item individual fica pausado no cardápio, e só o combo de 2+ fica ativo com frete grátis.

A regra de ouro do pedido mínimo

Um erro grave e comum: configurar um pedido mínimo mais caro que o prato mais barato do cardápio. Isso impede a loja de entrar em várias listas do iFood e derruba a conversão — o cliente vê o prato, mas não consegue fechar o pedido só com ele.

Quando o frete grátis realmente compensa

Trabalhar com frete grátis fica bem mais lucrativo quando o cliente adiciona dois ou mais itens ao carrinho — porque, na prática, ele estaria pagando o frete duas vezes se comprasse separado, e o combo “absorve” essa diferença de forma natural, criando inclusive uma sensação de promoção genuína pro cliente.

Ticket médio alto muda a conta

Quanto maior o ticket médio da sua loja, mais fácil embutir o custo do frete sem que o preço pareça alto — a proporção do frete dentro do valor total do pedido fica pequena. Já em loja de ticket baixo, a estratégia de combo (em vez de item avulso) é praticamente obrigatória pra não sair no prejuízo.

No iFood Pro Player eu ensino a calcular exatamente até onde embutir o frete sem perder conversão, junto com a fórmula certa pra embutir a taxa do iFood no preço.

Listas do iFood: Quais Existem e Como Entrar em Cada Uma

Poucos donos de delivery sabem que o iFood organiza praticamente toda a visibilidade do app em “listas” — vitrines específicas com regras próprias de elegibilidade. Entender como elas funcionam é a diferença entre aparecer pro cliente certo na hora certa ou ficar invisível mesmo com um bom cardápio.

Administrando centenas de lojas no iFood, mapeamos o padrão por trás da maioria dessas listas — informação que o próprio iFood não divulga publicamente.

Lista de restaurantes x lista de itens

Existem dois tipos de lista. Uma lista de restaurantes mostra sua loja inteira — o cliente clica e vê todo o cardápio. Uma lista de itens mostra um produto específico — o cliente clica e vai direto pro item, sem passar pela vitrine da loja. Ter produtos bem configurados pra entrar em listas de itens é uma fonte de visita que muita loja deixa passar.

A lista base: sua categoria

Toda loja está automaticamente em uma lista infinita, que é a categoria escolhida no cadastro (Açaí, Lanches, Hambúrguer, Marmita etc). Escolher a categoria certa — a que seu público mais busca — muda completamente seu volume de visitas. Uma sorveteria pode escolher “Sorvete” ou “Açaí”; um restaurante de refeições pode escolher “Brasileira” ou “Marmita”. O ideal é testar e observar qual gera mais movimento na sua região.

Listas fixas por horário

O iFood mantém listas fixas que aparecem sempre, em turnos específicos:

  • Café da manhã — padarias e cafeterias, no período da manhã.
  • Almoço Bom e Barato — pratos com preço máximo (R$25 ou R$30) e entrega grátis.
  • Jantar Bom e Barato — mesma lógica, período noturno.
  • Abertos na Madrugada — restaurantes com nota igual ou acima de 4, funcionando de madrugada.

Cada uma tem elegibilidade objetiva: se seu cardápio cumpre a regra, sua loja entra automaticamente.

Listas de patrocínio (Coca-Cola e Guaraná Antarctica)

Essas marcas patrocinam listas promocionais dentro do app. Basta cadastrar um item contendo “Coca Cola” (com e sem hífen) ou “Guaraná Antarctica” no nome e na descrição para ficar elegível. É uma forma gratuita de ganhar uma vitrine extra, sem custo nenhum além de montar o combo certo.

A categoria “Itens de Listas”

Uma técnica pouco conhecida: criar, no final do cardápio (abaixo das bebidas, pra não poluir a apresentação principal), uma categoria only pra capturar listas — pode ter qualquer nome criativo, como “Promoções secretas”. Ali você cadastra vários itens configurados especificamente pra se encaixar em regras de listas diferentes (combos com refrigerante patrocinado, itens com desconto de/por, etc). Quanto mais itens configurados assim, mais chances de aparecer em listas pontuais que mudam com frequência.

O fator que mais pesa em todas elas

Por trás de qualquer lista, o critério que mais pesa no ranqueamento é o número de vendas — tanto da loja quanto do item específico. Isso significa que qualquer ação que gere mais vendas (ainda que pequena, tipo uma promoção pontual) tende a destravar entrada em mais listas depois.

No iFood Pro Player eu detalho essa e outras listas, incluindo as sazonais e as de campanha, pra você configurar o cardápio de propósito e entrar em mais vitrines dentro do app.

A Fórmula Certa Pra Embutir a Taxa do iFood no Preço

Aqui vai um erro de matemática que praticamente todo dono de delivery comete, sem perceber: somar a porcentagem da taxa do iFood direto em cima do preço. Essa conta simples está errada — e o erro custa margem todo santo mês.

Já expliquei em outro artigo como pensar a precificação de forma geral. Aqui eu vou direto na fórmula matemática certa, porque é aqui que a maioria erra.

Por que “somar a porcentagem” dá errado

Imagine que seu preço base (custo + margem que você quer) é R$13,69, e a taxa total do iFood é 16,7%. O instinto é fazer: R$13,69 + 16,7% = R$15,98… mas isso está errado.

Prova: se você pegar R$15,98 e tirar 16,7% de volta, não chega em R$13,69. Chega em outro número, menor. Ou seja, com essa conta você continua saindo no prejuízo, mesmo achando que “embutiu” a taxa corretamente.

A fórmula certa

Pra embutir uma porcentagem corretamente no preço, o caminho é dividir pelo complemento da taxa, não somar direto. A fórmula é:

Preço final = Preço base ÷ (1 − taxa em decimal)

Exemplo prático: preço base de R$100, taxa de 26,7% (plano entrega própria, recebendo em uma semana).

  1. 1 − 0,267 = 0,733
  2. 100 ÷ 0,733 = R$136,42

Conferindo: R$136,42 menos 26,7% dá exatamente R$100 de volta. A conta bate. Esse R$136,42 é o preço que você precisa cobrar pra que, depois de todo desconto do iFood, sobre exatamente os R$100 que você calculou como preço base (custo + margem).

Qual taxa usar na fórmula

A taxa muda conforme o seu plano e forma de recebimento:

  • 26,7% — plano entrega (full), recebendo em uma semana.
  • 16,7% — plano entrega própria (marketplace), recebendo em uma semana.

Essas taxas já somam comissão do iFood + taxa de transação online (3,2%) + taxa de antecipação semanal (1,5%). Se você recebe em quatro semanas em vez de uma, a taxa de antecipação some, e o percentual usado na fórmula muda.

O erro mais caro de todos

Usar a conta errada (somar direto) parece uma diferença pequena por pedido, mas multiplicado por centenas de pedidos no mês, é a diferença entre uma loja lucrativa e uma loja que trabalha de graça pro aplicativo sem o dono perceber — porque no extrato bate “tudo certo”, só que a margem real ficou menor do que devia.

No iFood Pro Player eu mostro essa fórmula aplicada passo a passo em cima de casos reais, junto com a ficha técnica e o cálculo de custo fixo, pra fechar a conta de ponta a ponta.

Ficha Técnica: Como Calcular o Custo Real de Cada Prato

Se você não sabe exatamente quanto custa produzir cada prato do seu cardápio, é impossível saber se está tendo lucro de verdade ou só girando dinheiro no prejuízo. A ferramenta que resolve isso chama-se ficha técnica, e a maioria dos donos de delivery nunca fez uma.

Depois de estruturar a operação de centenas de lojas no iFood e 99Food, posso dizer: ficha técnica malfeita (ou inexistente) é a causa mais comum de restaurante que vende muito e sobra pouco no fim do mês.

O que é a ficha técnica

A ficha técnica é o mecanismo que mostra o custo real de produzir cada item do seu cardápio — cada ingrediente, cada embalagem — para então precificar corretamente. Sem ela, você está chutando o preço, não calculando.

O passo a passo

  1. Liste todos os insumos e embalagens usados na produção (aqui não entram gás, energia, água ou mão de obra — isso é custo fixo, calculado à parte).
  2. Anote produto, preço e unidade de medida de cada compra. Exemplo: carne, R$140, 5,6kg.
  3. Transforme tudo em unidade simples — o preço de 1kg, 1 unidade. Basta pegar o valor total e dividir pela quantidade: 140 ÷ 5,6 = R$25 o quilo da carne.
  4. Use uma balança de verdade pra pesar exatamente quanto de cada insumo vai em cada prato. Trabalhar “no olho” só dá uma aproximação, não o custo exato.
  5. Monte a ficha do item final somando a fração de cada insumo usado. Um hambúrguer que leva 110g de carne, por exemplo, usa 0,11kg × R$25 = R$2,75 só de carne.

Somando pão, carne, queijo, molhos e embalagens, você chega a um custo total real por unidade — não uma estimativa.

Por que vincular tudo por fórmula

O detalhe que faz a diferença: as planilhas precisam estar vinculadas por fórmula (preço do insumo × quantidade usada), não com números fixos digitados à mão. Assim, quando o preço da carne sobe no mercado, a ficha técnica de todos os pratos que usam carne se atualiza sozinha — você não precisa recalcular tudo manualmente toda vez que o fornecedor reajusta o preço.

Padronização evita prejuízo escondido

Grandes redes preparam cada item com peso idêntico sempre — o mesmo hambúrguer, duzentas vezes, sai igual. Isso não é só sobre qualidade: evita desvio de insumo na cozinha e garante que o custo calculado na ficha técnica é o custo real que está saindo, e não um custo menor no papel enquanto a cozinha usa mais insumo do que deveria.

A ficha técnica é a base de tudo: sem ela, qualquer precificação — inclusive a fórmula pra embutir a taxa do iFood — é só chute. No iFood Pro Player eu ensino o método completo, com planilha pronta, pra você montar a ficha técnica de cada item do seu cardápio.

Como Reduzir Cancelamento e Atraso no iFood

Cancelamento e atraso são os dois fatores que mais derrubam o ranqueamento de uma loja no iFood — e também os dois que mais afastam cliente de forma definitiva. A boa notícia é que, na maioria dos casos, os dois têm solução operacional simples, não exigem investimento em marketing.

Gerenciando mais de 300 lojas conectadas ao iFood e 99Food, identifiquei que cancelamento e atraso quase sempre vêm da mesma raiz: falta de processo na hora de pico.

Por que a loja cancela pedido

  • Ingrediente em falta — cardápio desatualizado é a causa nº 1 de cancelamento pela loja.
  • Excesso de pedido simultâneo sem capacidade de produção — aceitar tudo sem controlar o fluxo da cozinha.
  • Erro de sistema/integração — pedido que trava ou não sincroniza corretamente entre app e cozinha.

Como reduzir cancelamento

  1. Atualize o cardápio em tempo real — pausar só o item em falta, não a loja inteira, evita perder venda desnecessariamente.
  2. Configure pausa automática por volume — o iFood permite limitar quantos pedidos simultâneos a loja aceita; use isso em vez de aceitar tudo e cancelar depois.
  3. Treine a equipe pra confirmar pedido rápido — pedido que fica muito tempo “pendente” de confirmação aumenta a chance do cliente cancelar primeiro.
  4. Por que o pedido atrasa

    Atraso geralmente é sintoma de tempo de preparo mal configurado, não de cozinha lenta. Se o tempo informado no cardápio não reflete o tempo real em horário de pico, todo pedido feito nesse período já nasce atrasado — mesmo que a cozinha esteja no ritmo normal dela.

    Como reduzir atraso

    1. Meça o tempo real de preparo em horário de pico, não no horário mais tranquilo do dia.
    2. Ajuste o tempo informado no app pra refletir a realidade — parece contraintuitivo “prometer mais tempo”, mas cumprir o prometido pesa mais no algoritmo do que prometer rápido e atrasar.
    3. Escalone a equipe pros horários de pico com base em dados reais de volume, não em intuição.

    O impacto direto no faturamento

    Reduzir cancelamento e atraso não é só sobre nota e algoritmo — é sobre reter cliente. Um cliente que teve um pedido cancelado ou muito atrasado raramente pede da mesma loja de novo. Cada cancelamento evitado é, na prática, um cliente recorrente que você não perdeu.

    No iFood Pro Player eu detalho o processo operacional completo que uso pra manter cancelamento e atraso baixos nas lojas que administro, incluindo como configurar corretamente o tempo de preparo e o limite de pedidos simultâneos.

    Quer entender como isso afeta diretamente seu posicionamento no app? Veja o guia completo do algoritmo aqui.

Precificação no iFood Sem Perder Margem

A pergunta que mais escuto depois de “quanto o iFood cobra de taxa” é “por que eu vendo tanto e sobra tão pouco no fim do mês”. Na maioria das vezes, o problema não é vender pouco. É precificar errado.

Administrando lojas de delivery há 7 anos, vejo o mesmo erro se repetir: o dono do restaurante calcula o preço do prato pelo custo do físico (balcão, mesa) e só depois “desconta” a taxa do iFood — quando deveria ser o contrário.

O erro mais comum: precificar sem considerar a taxa desde o início

Se o seu preço já era apertado no presencial, ele fica no prejuízo no delivery assim que você desconta a comissão do app. A conta certa é: definir a margem que você quer ganhar líquida, e só então calcular o preço de venda considerando o custo do prato + a comissão da plataforma + impostos.

Como calcular o preço certo (sem perder margem)

  1. Calcule o custo real do prato (CMV) — todos os ingredientes, embalagem, e um rateio de custo operacional (gás, energia, mão de obra).
  2. Defina a margem líquida desejada — não confunda margem bruta com o que sobra de verdade no bolso.
  3. Embuta a comissão do iFood/99Food no cálculo — se a taxa é 27%, o preço precisa cobrir isso antes de chegar na margem que você quer.
  4. Compare com o preço da concorrência — só depois de calcular o preço “de baixo pra cima”. Nunca o contrário.

Precificação diferente por plataforma

Como taxas variam entre iFood e 99Food (veja a comparação completa aqui), muitas vezes faz sentido ter preços levemente diferentes por plataforma, pra manter a mesma margem líquida em ambas — em vez de aplicar o mesmo preço nas duas e perder margem em uma delas sem perceber.

Cuidado com promoção e cupom sem cálculo

Cupom de desconto é ferramenta poderosa pra atrair cliente novo, mas aplicado sem cálculo de margem vira prejuízo disfarçado de “estratégia de marketing”. Antes de rodar qualquer promoção, calcule qual é o piso de desconto que ainda mantém a operação saudável.

No iFood Pro Player eu trago a planilha e o método completo de precificação que uso nas lojas que administro — pra você parar de vender bem e ganhar pouco.

Como Estruturar o Cardápio pra Vender Mais (Técnica de Listas)

Cardápio de delivery não é menu de restaurante físico. É vitrine de e-commerce. E vitrine de e-commerce tem técnica — a mesma lógica que grandes marketplaces usam pra vender mais, adaptada pro seu cardápio dentro do iFood.

Depois de estruturar o cardápio de centenas de lojas que administro, aprendi que a diferença entre um cardápio que vende e um que só existe está em detalhes que a maioria dos donos de restaurante ignora.

A técnica de listas

Clientes de delivery decidem em segundos, rolando a tela. Cardápio em bloco de texto longo, sem hierarquia clara, faz o cliente desistir antes de decidir. A técnica de listas organiza o cardápio pra guiar a decisão:

  • Categorias curtas e específicas — em vez de “Lanches”, use “Smash Burgers”, “Lanches Especiais”, “Combos”. Categoria genérica esconde os produtos que mais vendem.
  • Os 3 primeiros itens de cada categoria são os que mais vendem — posicione ali os produtos de maior margem e maior conversão, não em ordem alfabética.
  • Nome do prato + gatilho descritivo — “X-Bacon Artesanal” vende mais que só “X-Bacon”.
  • Fotos em todos os itens de maior margem — item sem foto perde conversão de forma comprovada.

Complementos e upsell dentro do cardápio

Complemento bem estruturado é uma das formas mais fáceis de aumentar o ticket médio sem esforço de marketing. Sugerir bebida e sobremesa no momento certo do fluxo de compra, com preço atrativo, converte muito mais do que deixar como itens separados que o cliente precisa procurar.

Erros que reduzem a conversão do cardápio

  1. Cardápio extenso demais — quanto mais opção, mais paralisia de decisão.
  2. Preço sem terminar em “,90” ou “,99” — parece pequeno, mas psicologicamente funciona.
  3. Descrição vazia ou copiada — cliente não visualiza o prato, não sente vontade.
  4. Itens “em falta” com frequência — cada vez que isso acontece, o algoritmo também registra negativamente (veja o guia do algoritmo do iFood).

Cardápio é o que mais impacta o ticket médio

Reestruturar cardápio costuma ser a mudança de maior retorno com menor esforço — não exige investimento em anúncio, só reorganização estratégica do que já existe.

No iFood Pro Player eu ensino a técnica de listas completa, com exemplos reais de antes e depois de cardápios que reestruturei, e como aplicar isso no seu sem precisar refazer o menu inteiro do zero.

iFood x 99Food: Qual Vale Mais a Pena

“Vale a pena entrar no 99Food ou é melhor focar só no iFood?” Essa dúvida aparece toda semana nas lojas que administro. A resposta curta é: na grande maioria dos casos, vale a pena estar nos dois — mas não do mesmo jeito.

Gerencio hoje mais de 300 lojas conectadas ao iFood e ao 99Food, e dá pra comparar com dados reais, não achismo, onde cada plataforma se sai melhor.

Onde o iFood ganha

  • Volume de usuários — o iFood ainda tem a maior base de clientes ativos no Brasil, de longe.
  • Maturidade do algoritmo e das ferramentas — recursos de campanha, cupom e analytics são mais completos.
  • Selo Restaurante Super — funciona como prova social forte dentro do app.

Onde o 99Food ganha

  • Comissão geralmente mais baixa — em vários mercados, a taxa cobrada pelo 99Food é menor que a do iFood.
  • Menos concorrência por visibilidade — como ainda tem menos lojas cadastradas em muitas cidades, é mais fácil aparecer bem posicionado.
  • Cliente que já usa 99 pra transporte — a integração com o app de mobilidade traz um público que não necessariamente está no iFood.

A estratégia certa: não é escolher, é dosar

O erro mais comum é tratar as duas plataformas do mesmo jeito, com o mesmo cardápio, mesmo preço e mesma operação. O que realmente funciona é usar o iFood como canal principal de volume e o 99Food como canal de margem — já que a comissão menor pode compensar um volume de pedidos menor.

Outro ponto importante: cada plataforma tem picos de demanda em horários e dias diferentes dependendo da região. Analisar esse dado antes de decidir quanto investir em cada uma evita desperdiçar energia numa plataforma que não converte no seu bairro.

Cuidado com a armadilha operacional

Rodar duas plataformas ao mesmo tempo sem processo definido é receita pra bagunça: pedido perdido, cardápio desatualizado numa das duas, estoque que não bate. Antes de expandir pra uma segunda plataforma, vale garantir que a operação da primeira está redonda.

No iFood Pro Player eu mostro como estruturar a operação pra rodar múltiplas plataformas sem perder o controle — incluindo como decidir, com base no seu histórico de vendas, se vale a pena entrar no 99Food agora ou não.

Quer entender primeiro como aparecer no topo dentro do iFood? Confira o guia do algoritmo aqui.

Taxa do iFood em 2026: Quanto É e Como Pagar Menos

“Quanto o iFood cobra de taxa?” é provavelmente a pergunta que mais recebo de dono de restaurante. A resposta certa é: depende do plano, e a maioria dos donos de loja está no plano errado pro tamanho do próprio negócio.

Depois de gerenciar mais de 300 lojas no iFood e 99Food, posso dizer que a diferença entre pagar a taxa certa e pagar a taxa errada é, muitas vezes, a diferença entre o restaurante dar lucro ou trabalhar de graça pro aplicativo.

Como funciona a taxa do iFood em 2026

O iFood cobra uma comissão percentual sobre cada pedido feito dentro do app, que varia conforme o plano contratado pela loja. Além da comissão, existem taxas adicionais possíveis, como taxa de serviço, custo de entrega (quando a loja usa a entrega do próprio iFood) e taxas de transação de pagamento.

O erro mais comum é o dono de restaurante escolher o plano com a menor taxa percentual achando que está economizando, sem considerar que planos mais baratos geralmente entregam menos visibilidade no app — ou seja, você paga menos por pedido, mas recebe menos pedidos.

Como pagar menos taxa sem perder visibilidade

  • Revise o plano pelo menos a cada 6 meses — o volume da sua loja muda, e o plano ideal muda junto.
  • Use a entrega própria quando fizer sentido — em bairros com boa densidade de pedidos, ter entregador próprio custa menos que a taxa de entrega do app.
  • Precifique considerando a taxa desde o início — o erro mais caro é definir o preço do prato sem embutir a comissão do iFood, e só perceber a margem apertada no fim do mês.
  • Negocie condições especiais — lojas com bom histórico de performance (nota, volume, baixo cancelamento) têm mais poder de negociação com o gerente de conta do iFood.

A armadilha da taxa “mais barata”

Muita gente troca de plano só olhando o percentual de comissão e esquece de medir o impacto na visibilidade. Já vi loja perder 30% do volume de pedidos ao trocar pra um plano mais barato, porque o algoritmo do iFood prioriza lojas em planos com mais investimento em ads e visibilidade — o que anula completamente a “economia” da taxa menor.

A decisão certa não é “qual taxa é mais barata”, é “qual plano dá o melhor retorno líquido considerando volume x comissão”. Isso exige cálculo, não intuição.

No iFood Pro Player eu ensino exatamente como fazer essa conta e escolher o plano certo pro seu momento — sem cair na armadilha da taxa mais barata que sai mais cara.

Ainda não sabe como o algoritmo decide sua visibilidade dentro de cada plano? Veja o guia completo aqui.